Saneamento

Saneamento básico. Você sabe tudo sobre isso?

Muita gente ainda acha que saneamento básico define apenas a coleta de esgotos de uma comunidade. No entanto, este termo é muito mais amplo e complexo, fazendo parte das obrigações do governo previstas na Constituição.

Na verdade, o saneamento básico envolve um conjunto de serviços de infraestrutura, incluindo o abastecimento de água, o esgotamento sanitário, a limpeza urbana, o manejo de resíduos sólidos e a drenagem de águas pluviais.

E isso é essencial porque previne doenças, reduz a mortalidade infantil, melhora os índices de educação e empregabilidade, expande as atividades turísticas – além de preservar o meio ambiente, uma prioridade urgente em todo o mundo.

O desafio brasileiro

Pela sua extensão territorial, diversidade geográfica e contrastes socioeconômicos, o Brasil precisa dar mais atenção e priorizar o saneamento básico, uma vez que as deficiências dessa área prejudicam toda a população.

De acordo com o estudo feito pelo Instituto Trata Brasil, com base no banco de dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) 83,7% dos brasileiros têm acesso ao abastecimento de água tratada. Assim, quase 35 milhões não contam com esse serviço básico – número alarmante e que se repete em vários países do chamado terceiro mundo.

Concluímos que esta é uma questão universal, já que habitamos o mesmo planeta e qualquer alteração acaba por afetar o resto do mundo. Esse esforço deve unir os governos e também as comunidades, onde os próprios cidadãos também podem fazer muito.

Um passo adiante

Em julho de 2020 o Brasil deu um passo importante nesse setor. Por meio da Lei 14.026/2020 foi estabelecido o Marco Legal do Saneamento. Atento à necessidade de trazer qualidade de vida a quase metade da população brasileira desprovida desse direito, o marco estabeleceu metas de universalização dos serviços de saneamento básico, estipulando prazos para que municípios alcancem a cobertura total de água potável e coleta e tratamento de esgoto.

A lei também prevê a elaboração de planos municipais de saneamento e a criação de agências reguladoras independentes para fiscalizar o setor, visando a garantia da qualidade e eficiência dos serviços prestados. De acordo com o marco, até 2033 deve ser alcançada a cobertura de 99% com relação aos serviços de abastecimento de água; e, até 2033, 90% com relação aos serviços de coleta e tratamento de esgoto. Outra vantagem trazida pelo marco foi permitir que empresas privadas possam competir pelos contratos com as companhias públicas ou de capital misto, estabelecendo metas claras para os serviços. Como resultado, a população ganha com maior eficiência e qualidade nos serviços de saneamento prestados pelas empresas.

Muito trabalho e investimentos

O desafio é imenso. Para se ter uma ideia, o custo para levar saneamento básico para todos os brasileiros até 2033 é estimado em R$ 508 bilhões, sendo os serviços de água e esgoto responsáveis por 60% desse custo. Os estados que mais investiram em saneamento nos últimos anos foram São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro e Bahia. Mesmo assim, de acordo com estudo “Saneamento básico: uma agenda regulatória e institucional” da Confederação Nacional da Indústria (CNI), para cumprir as metas, o Brasil precisa aumentar em 62% os investimentos em saneamento básico. A média de recursos direcionados ao setor nos últimos oito anos foi de R$ 13,6 bilhões, R$ 8 bilhões a menos do que o necessário. Se essa média for mantida, a universalização só será atingida após 2050, ou seja, com um atraso de mais de 20 anos.

A Copasa dá o exemplo

Em Minas, os sistemas operados pela Copasa já apresentam índices de universalização avançados, com 99,6% de cobertura de abastecimento de água, 90,8% de cobertura de coleta de esgoto – sendo que desses 79,4% já contam com tratamento. De fato, algumas cidades mineiras já estão acima das metas de universalização, com destaque para Belo Horizonte, Montes Claros, Ipatinga, Patos de Minas e Araxá.

Para alcançar o que falta da meta de universalização de saneamento nos sistemas operados, a Copasa investiu mais de R$ 1,35 bilhão em 2022 e já tem projetado mais de R$ 7 bilhões até 2027. Também, a constante modernização de sua gestão, a digitalização do atendimento ao cliente e o foco no cidadão e na eficiência operacional traçam o caminho para que a Copasa chegue a patamares cada vez mais altos.

A Copasa está presente na vida de milhões de mineiros, em 640 cidades, todos os dias. Para continuar levando qualidade de vida, dignidade, promoção à saúde e desenvolvimento para mais pessoas, cada vez melhor, cumprindo seu compromisso com a universalização do saneamento, a Copasa se mantém fiel a seu propósito: cuidar da água e gerar valor às pessoas.

A Copasa e a Pampulha

Cartão-postal de Belo Horizonte, a Lagoa da Pampulha passou a sofrer os danos causados pelo grande volume de esgoto e lixo ali despejados. Tais afluentes chegam carregados de coliformes fecais, fósforo, manganês, zinco e outros poluentes. Os descuidos causaram o assoreamento; a perda de quase a metade do volume original da lagoa; a poluição total das águas; o mau-cheiro reinante e todos os impactos negativos que afetaram peixes, aves, vegetação e – naturalmente – a população humana.

Porém, este triste cenário está se transformando com a participação efetiva da Copasa. Obras inovadoras no sistema de esgotamento sanitário da Bacia da Lagoa da Pampulha irão causar uma diminuição drástica do esgoto jogado na bacia e a consequente melhoria dos índices de qualidade da água, do ar e da qualidade de vida na região. O turismo, o lazer e o comércio de entretenimento da área também serão altamente beneficiados.

Saiba mais sobre o saneamento básico

Como já apontado, o saneamento básico é composto por um complexo sistema de serviços que, juntos, contribuem para a elevação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das populações atendidas. Também, contribuem com a melhora dos cenários econômicos e de infraestrutura das cidades, impactando diretamente na geração de emprego e melhora da renda das famílias. Além disso, e talvez mais importante, contribuem com a preservação e proteção do meio ambiente e a conservação do recurso hídrico.

Sistema de Abastecimento de Água

Captação, tratamento e distribuição de água.

Para que a água chegue com qualidade até seu imóvel, ela passa por muitos processos de grande complexidade – afinal, para levar o recurso dos mananciais até a sua torneira, ela deve ser captada e tratada para chegar a níveis de potabilidade ideais, para então ser levada por quilômetros de tubulação subterrânea.

Tudo começa então com a captação e o tratamento da água, que acontece nas Estações de Tratamento de Água (ETA). O tratamento da água passa, normalmente, por 8 etapas:

    1. Captação: a água é captada de rios com impurezas, como areia, restos de material biológico e bactérias;
    2. Adução: a água é bombeada para a estação de tratamento;
    3. Coagulação: processo químico que leva ao agrupamento das impurezas da água;
    4. Floculação: processo mecânico de agitação para que as impurezas formem partículas maiores e decantem;
    5. Decantação: nessa etapa, os flocos formados afundam, para que seja separada a água da sujeira;
    6. Filtragem: a água passa por filtros de areia grossa, fina, cascalho, pedregulho e carvão;
    7. Desinfecção: a água é desinfectada por cloro e recebe adição de flúor;
    8. Reservação: a água é armazenada em reservatórios.

Depois de tratada, testada e armazenada, a água pode ser distribuída para os sistemas operados pela concessionária.

Assim, ela sai da ETA por tubulações subterrâneas, passando, muitas das vezes, por baixo de ruas e avenidas muito movimentadas das cidades. Em alguns casos, instalam-se boosters, ou bombas de pressão, para garantir que exista pressão suficiente para a água ser distribuída. Em alguns casos, são necessárias Estações Elevatórias (EE), equipadas com boosters mais potentes – em algumas cidades mineiras as EEs são muito comuns devido à topografia local.

Para saber mais sobre o Sistema de Abastecimento de Água da Copasa

SISTEMA DE ESGOTAMENTO SANITÁRIO

Coleta, transporte, tratamento e devolução do esgoto

Um dos principais serviços do saneamento básico, o esgotamento sanitário também é o que mais demanda investimentos para ampliação e qualificação de sua cobertura e operação. Esse serviço é essencial para o alcance das metas de desenvolvimento humano, social, econômico e ambiental do Brasil.

O esgoto produzido pelas residências, empresas, comércio e indústria é coletado pelas redes de coleta constituídas por milhares de quilômetros de tubulações subterrâneas nas cidades e levadas para Estações de Tratamento de Esgoto (ETE), nos casos em que os municípios contam com esse serviço, ou levadas para braços de água onde a diluição dos poluentes seja possível para não causar grandes danos ao ecossistema.

Nas Estações de Tratamento de Esgoto, os efluentes passam por algumas etapas antes de serem devolvidos para a natureza. Sendo:

    1. Gradeamento: os efluentes passam por um sistema mecânico para separação de materiais grosseiros, como lixo, pedaços de plantas, dentre outros;
    2. Desarenação: em seguida, o esgoto passa, em baixa velocidade, por canais, para que toda a areia contida nele seja sedimentada pela força da gravidade;
    3. Oxidação biológica: pela adição de oxigênio, as bactérias encontradas no esgoto reproduzem-se em grande quantidade e alimentam-se da matéria orgânica nele presente, formando os flocos biológicos;
    4. Decantação: os flocos biológicos sedimentam-se no fundo de um tanque, formando o lodo. O líquido resultante dessa separação já está pronto para ser lançado em um rio ou lago, sem prejuízo para o meio ambiente.
    5. Recirculação do lodo: para que o esgoto atinja o grau de purificação desejado, é preciso que as etapas de oxidação biológica e a decantação se realizem tantas vezes quantas forem necessárias. Isso se faz com um sistema de bombeamento que permite que o lodo circule várias vezes durante o processo;
    6. Destino final do lodo: o lodo resultante, a parte sólida da poluição, será secado ou prensado e, após a desidratação, colocado em aterro sanitário. Poderá também ser utilizado na agricultura, após adequação, ou incinerado.

Para saber mais sobre o Sistema de Esgotamento Sanitário da Copasa

MANEJO DE ÁGUA DA CHUVA

A Lei nº 11.445/2007, também conhecida como Lei do Saneamento, estabelece diretrizes fundamentais para o gerenciamento de águas pluviais nas áreas urbanas. Segundo essa lei, o manejo de águas pluviais abrange um amplo conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais. Isso inclui desde a drenagem urbana de águas pluviais, o transporte dessas águas, sua detenção ou retenção para mitigar vazões de cheias, até o tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas, tudo isso em consonância com as ações de planejamento e gestão do espaço urbano.

Em termos práticos, a drenagem e o transporte das águas pluviais são executados por meio de sistemas de galerias pluviais que encaminham essa água até os mananciais, prevenindo, assim, inundações e alagamentos nas áreas urbanas. Essa infraestrutura desempenha um papel crucial na proteção das cidades contra os impactos das chuvas intensas.

No entanto, um desafio significativo enfrentado pelas cidades é a manutenção inadequada e o acúmulo de resíduos nos sistemas de drenagem. O acúmulo de lixo nos bueiros não apenas obstrui as redes de água pluvial, causando alagamentos, mas também polui rios, lagos e oceanos, prejudicando ecossistemas e a qualidade da água.

Além disso, conexões incorretas entre as redes de esgoto e de drenagem de águas pluviais podem resultar em contaminação dos corpos d’água, transbordamento de esgoto para dentro de imóveis, enchentes, propagação de doenças infecciosas e problemas estruturais para as cidades. Portanto, a gestão adequada das águas pluviais não se limita apenas à infraestrutura física, mas também requer medidas para promover a manutenção regular e a conscientização da população sobre o correto descarte de resíduos, visando a um ambiente urbano mais seguro, limpo e saudável.

SISTEMA DE COLETA E DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS SÓLIDOS

Coleta, separação e destinação de lixo urbano

Todos os dias, toneladas de lixo são descartados em todos os bairros de todas as cidades do estado, do país e do mundo. Você já parou para pensar para onde todo esse material é levado? E como ele é descartado?

Na gestão urbana, a coleta de resíduos desempenha um papel vital, desdobrando-se em benefícios essenciais para as cidades. Este processo não apenas se encarrega da remoção do lixo gerado, mas também desempenha um papel fundamental na preservação do meio ambiente e na promoção da sustentabilidade urbana.

A segregação adequada dos resíduos, uma vez realizada, possibilita um direcionamento mais eficaz para seus destinos finais. Os materiais recicláveis podem ser encaminhados para a reciclagem, contribuindo para a redução da demanda por recursos naturais e a diminuição da pegada ambiental. Enquanto isso, os resíduos não recicláveis, que não podem ser reutilizados ou reciclados, são direcionados para aterros sanitários, evitando a contaminação do solo e a poluição do ambiente.

Esse importante serviço é regulamentado pelo governo municipal e pode ser executado tanto por entidades públicas quanto privadas. Essas entidades são responsáveis pela disposição adequada dos resíduos e rejeitos, garantindo que todo o processo ocorra dentro dos padrões de segurança e eficiência.

Os veículos dedicados à coleta de resíduos são projetados especificamente para essa finalidade, operando em dias pré-determinados para cada bairro. Isso não apenas garante a regularidade do serviço, mas também reduz o tempo em que o lixo permanece exposto nas vias públicas. Evitar que os resíduos fiquem desprotegidos ajuda a prevenir problemas, como a violação por animais e a propagação de insetos e pragas, como ratos e baratas.

Além disso, ao descartar seu lixo, é fundamental considerar a segurança dos trabalhadores envolvidos na coleta. Materiais perfurantes, como vidros e seringas, devem ser devidamente protegidos nos sacos, a fim de evitar acidentes que podem prejudicar tanto os coletores quanto a comunidade em geral.

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), regulamentada pela Lei 12.305/2010, desempenha um papel crucial na gestão de resíduos sólidos em nosso país. Entre seus objetivos, destaca-se o incentivo à indústria de reciclagem no Brasil. Isso é de extrema importância, visto que a questão da degradação ambiental causada pelo plástico se tornou um problema global devido à sua resistência à decomposição.

Portanto, cada um de nós pode contribuir para um ambiente mais sustentável e saudável. Isso pode ser feito por meio da separação correta dos resíduos e sua entrega a cooperativas de reciclagem ou catadores de materiais recicláveis, que têm um papel vital na cadeia de reciclagem. Além disso, ajustar nossos padrões de consumo pode reduzir significativamente a quantidade de resíduos sólidos que geramos, alinhando-se com a visão de um futuro mais limpo e sustentável.